fbpx

Um sentido de Beleza

A vida fala-nos através dos acontecimentos quotidianos – as coincidências, os acasos, os imprevistos, os acidentes, as situações que se repetem.
Paul Auster chama-lhe “a poesia da vida”, Kundera fala de um sentido de beleza, da vida composta como uma partitura musical. Paulo Coelho, na sua obra “O Alquimista”, chamava-nos a atenção para os Sinais.
Mas podemos , embrenhados como estamos nos afazeres dos nossos dias, prestar atenção a algo mais que não seja às coisas concretas e imediatas?
Com que frequência nos deixamos surpreender pela poesia da vida, por esses acontecimentos que, de forma improvável, rimam entre si?
Podemos receber , de alguma maneira, esses oráculos quotidianos? Podemos parar e questionar-nos? Com que atitude respondemos a essas “chamadas de atenção” que a vida usa para se comunicar connosco?

Parar para ouvir a vida, para me questionar, para decidir, para largar, para criar, pode conduzir a mudanças profundas nas estruturas do que construí até agora. E uma mudança, mesmo quando desejada, implica entrar num processo que pode apresentar muitos desafios.

Mas a mudança é inevitável e mais vale mergulhar no processo que ela abre. E aproveitar a oportunidade para retomar um sentido de conexão comigo próprio.
Um processo de transformação pessoal, um processo de mudança – independentemente das suas dimensões – implica uma desconstrução e uma re construção. São ambos atos criativos mas preciso comprometer-me com eles, como um artista se compromete com a sua obra. E é aqui que há que fazer silêncio, calar o ruído externo. Sair do movimento incessante do mundo exterior e reencontrar-me comigo, a sós.

É nesse lugar interno, de escuta e conexão, que surgem as questões e os desejos. É aí que nasce o impulso para desconstruir o que já não me serve. E é aí que posso perceber com claridade as formas e contornos daquilo que é o meu Desejo.

 

“ A nossa vida quotidiana está sempre a ser bombardeada pelos acasos, mais exatamente por encontros fortuitos entre as pessoas e os acontecimentos, ou seja, por aquilo a que costuma chamar-se coincidências. (…)
Porque a vida humana também é assim que é composta.
É composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido de beleza, transpõe o acontecimento fortuito (…) e faz dele um tema, que em seguida, inscreverá na partitura da sua vida. Como o compositor faz com os temas de uma sonata, está sempre a voltar a ele, a repeti-lo, a modificá-lo, a desenvolvê-lo, a transpo-lo. (…)
Mesmo nos momentos de mais profunda desordem, é segundo as leis da beleza que, secretamente, o homem vai compondo a sua vida.
Não há, portanto, razão nenhuma para censurar aos romances o seu fascínio pelos misteriosos cruzamentos dos acasos (…), mas há boas razões para censurar o homem por ser cego a esses acasos na sua vida quotidiana e assim privar a vida da sua dimensão de beleza.” Milan Kundera

Deixe um comentário

Información básica sobre protección de datos Ver más

  • Responsable Vera Sofia Palma Paulino.
  • Finalidad  Moderar los comentarios. Responder las consultas.
  • Legitimación Tu consentimiento.
  • Destinatarios  Ptisp.
  • Derechos Acceder, rectificar y suprimir los datos.
  • Información Adicional Puedes consultar la información detallada en la Política de Privacidad.

Esta web utiliza cookies. Puedes ver más información sobre esto en el enlace. Si continuas navegando, estás aceptándolas.    Ver
Privacidad