A mulher e a criação

Como mulher, interessa-me a arte como forma de transgressão.
Virginia Woof (e não me canso de a citar!), no seu ensaio para as mulheres que desejam criar, fala de uma possível irmã de Shakespeare como símbolo de todas as mulheres artistas que não logram desenvolver a sua obra:

“(…) esta poetisa, que nunca escreveu uma palavra e foi sepultada numa encruzilhada, ainda está viva. Vive em vós e em mim e em muitas mulheres que não estão aqui esta noite, pois estão a lavar a louça e a deitar os filhos.”

Sejamos escritoras, poetas, pintoras, artistas ou não, o ato de criar é uma necessidade universal e a auto expressão é uma função vital. É um lugar de encontro comigo própria. Um lugar onde me posso manter fiel a mim e onde traio saudavelmente os padrões morais, familiares ou sociais que me condicionam – um lugar vital de pequenas grandes transgressões.

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