fbpx

Acolher

O Oráculo diz-nos que a única forma de nos libertarmos dos condicionamentos do passado é encontrar a maneira de fazer as pazes com tudo o que nos aconteceu. Mais do que perdoar, mais do que aceitar, trata-se de poder acolher e validar esse passado.
O desafio é que possamos olhar para todas as nossas experiências com ternura, com a compreensão amorosa de uma mãe que vê a sua criança a fazer disparates porque precisa experimentar e descobrir-se a si própria e ao mundo.
Os erros, as desilusões, os projetos que simplesmente não vingam, sem que possamos entender porquê são passos inevitáveis, incontornáveis, num caminho de aprendizagem.

Não vivemos só a nossa vida, vivemos uma vida que é de todos, em que tudo está conectado. E há coisas que não dependem só do nosso esforço nem da nossa vontade.
Poder acolher as nossas experiências, ficar em paz com elas e com nós próprios, e continuar a caminhar é aquilo a que se chama Sabedoria. O contrário seria tentarmos avançar na vida com uma bola de chumbo amarrada a cada pé, arrastando desnecessariamente o peso dos nossos arrependimentos, culpas, ressentimentos e mágoas.

O Oráculo lembra-nos do processo criativo que é a nossa vida. Os processos são cíclicos e dinâmicos, são movimento constante. E o caos também faz parte do processo. Há um momento de desconstrução, ou mesmo de destruição, que dará lugar a um vazio.
Podemos aguentar esse vazio dentro de nós próprios? Podemos amparar-nos e manter a visão do nosso Desejo autêntico quando a destruição é tão brutal que já nem sabemos quem somos?
Podemos amar-nos ainda assim?
Podemos encarar os nossos grandes disparates, podemos encarar tudo o que desconhecemos de nós, tudo o que não gostamos, e ainda assim amar-nos? Parar de querer ser outra coisa, parar de lutar essa tremenda luta interna e abraçar tudo aquilo que somos?
Como se relacionam esse homem e essa mulher que nos habitam independentemente do nosso sexo? Como se relacionam o nosso Masculino e o nosso Feminino internos?

Porque só quando nos podermos respeitar e acolher tudo aquilo que somos nos tornamos suficientemente livres para ultrapassar os muros que nos separam do resto do mundo. Só com muita compaixão por nós mesmos ousaremos sair da nossa carapaça protetora, que nos mantém isolados, e nos autorizaremos a participar na vida como ela é. Com todos os nossos dons e talentos e peculiaridades, ao serviço do todo, em prol de um bem maior.

É imperativo cultivarmos essa consciência. As novas criações que querem emergir depois da destruição, depois do desmoronamento do velho, precisam nascer de uma consciência que reconhece e honra o comunitário. Precisamos estar para os mais velhos, para os mais novos, para o que a própria vida pede com urgência. Precisamos levantar a cara do nosso umbigo e reconhecer essa vida e esse todo com o qual estamos conectados.
O paradoxo é que para o podermos fazer precisamos reforçar o nosso sentido de individualidade. Se começamos por honrar, respeitar e amar a nossa própria singularidade já não nos sentiremos ameaçados pelo exterior, poderemos libertar-nos da auto-observação constante e extenuante e olhar verdadeiramente a vida ao nosso redor.
Libertaremos a energia que temos posto na necessidade de sobrevivência e poderemos pô-la no desejo de criação. E criar pode implicar um “começar de novo” – acolher o que não foi, o que não pôde ser, o que afinal não somos, e apresentar-nos com o que há.

O Oráculo insiste na relação que mantemos com nós próprios usando como metáfora a relação entre os nossos amantes internos. Recomeçar um processo criativo pede uma renovação de votos que celebre a união sagrada entre o nosso Masculino e o nosso Feminino.
Que o nosso Feminino, conectado com a vida e nutridor e, ainda assim, feroz no seu sentido de discernimento e de autonomia, possa receber o Masculino – não mais dominante nem tirano, não mais débil nem ausente, mas fortalecido, seguro e disponível. Porque um processo criativo – seja de uma obra ou da própria vida – implica a união amorosa e a colaboração entre estas duas energias internas. A energia masculina que suporta, assertivo e prático, o florescimento criativo da nossa mulher interior.
Esta união, esta parceria sagrada, é a manifestação do nosso compromisso com nós próprios, de honrarmos a pessoa que afinal somos e as experiências que vivemos. E o fruto desse compromisso serão novas criações, conectadas com a Vida e em sintonia com o desejo do Todo, do qual somos uma pequena e imprescindível parte.

 

Oráculos

Feminitud, La Sabiduría
Archangel Michael, Respect Yourself
Wisdom of Avalon, Disruption
Faery Oracle, Green man’s Bride
The secret language of animals, Elephant
Eye of the Soul, Adapt to a new situation
Wisdom Realms, The web weaver
Sacred Rebel, In the world, not of the world
Divine Circus, The juggler
Journey of Love, Burning Hero
Las cartas de la Medicina, el Oso
Maestros Ascendidos, Osiris

 

O Oráculo

Na Antiguidade consultar o Oráculo era um ato natural para buscar orientação. Porque para os antigos a relação com o mistério era algo natural – os seus deuses e deusas ajudavam-nos a dar sentido ao inexplicável e uma certa ordem ao caos próprio da existência humana.
A espiritualidade – a nossa relação com o que nos transcende – é nos dias de hoje algo cheio de associações duvidosas, de ambiguidades e de um ceticismo que mascara o nosso eterno medo face ao desconhecido. O resultado é uma profunda fome espiritual – somos uma sociedade desnutrida e desamparada, e a consequência são sintomas como a ansiedade e a adição.

Nos meus processos de investigação como arte terapeuta descobri nos Oráculos uma ferramenta de grande riqueza e potencial – a nível terapêutico, artístico, lúdico e espiritual – e criei o projeto Imaginário Oracular para trabalhar com o Oráculo a partir de métodos arte terapêuticos.

É um recurso que tenho vindo a explorar nos últimos anos e que tem sido fonte de nutrição e inspiração e, nesse sentido, proponho-me partilhá-lo de forma mais ampla, para além do espaço das minhas consultas e workshops.
Assim, mensalmente, partilharei um texto escrito a partir de uma mensagem do Oráculo para todos nós. Um texto resultante do processo criativo em que as imagens, os mitos, os símbolos de diferentes cartas se transformam em palavra escrita. Não para “adivinhar” nada mas para inspirar-nos a todos na criação dos nossos futuros.

É um projeto experimental, que se irá construindo de forma orgânica.
Um projeto para partilhar a inspiração do Oráculo e o seu potencial sanador e criativo.
Par ir reconciliando as ambiguidades, internas e externas, e as minhas próprias resistências acerca do que é um Oráculo.
E para continuar a experimentar e investigar as fronteiras do artístico, do mistério, do acaso, da intuição, da comunicação. Daquilo que é a consciência compartida onde todos estamos de alguma forma conectados, e em que as ações de um têm repercussões que nos afetam a todos.

 

Detalhe da pintura “Mujer ante el espejo”, Picasso

Deixe um comentário

Información básica sobre protección de datos Ver más

  • Responsable Vera Sofia Palma Paulino.
  • Finalidad  Moderar los comentarios. Responder las consultas.
  • Legitimación Tu consentimiento.
  • Destinatarios  Ptisp.
  • Derechos Acceder, rectificar y suprimir los datos.
  • Información Adicional Puedes consultar la información detallada en la Política de Privacidad.

Esta web utiliza cookies. Puedes ver más información sobre esto en el enlace. Si continuas navegando, estás aceptándolas.    Ver
Privacidad