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Criar o futuro

No outro dia a passear por Gràcia deparei-me com esta conhecida frase de Abraham Lincoln:
“The best way to predict your future is to create it.”

Quis o acaso que uns dias depois, na mesma rua onde lera a frase, encontrasse um artista a trabalhar na imagem da foto.

Como arte terapeuta um dos recursos que mais utilizo é a Metáfora, que trabalho através dos Oráculos e do jogo do acaso. O acaso serve como ponte para o inconsciente, tal como a expressão artística – não se trata de magia nem de predição, mas de conectar com o inconsciente porque sem entrar nesses lugares desconhecidos não pode haver criação autentica.

Trabalhar através da arte – com metáforas, com imagens, com símbolos e personagens – é como entrar num atelier, cheio de materiais à disposição e grandes folhas em branco, para criar o meu próprio futuro.

E a possibilidade de criar o futuro que desejo viver, mesmo com todas as resistências que possam surgir, é a única forma de não ser vítima das circunstâncias. No fundo, é uma questão de escolha.

Um sentido de Beleza

A vida fala-nos através dos acontecimentos quotidianos – as coincidências, os acasos, os imprevistos, os acidentes, as situações que se repetem.
Paul Auster chama-lhe “a poesia da vida”, Kundera fala de um sentido de beleza, da vida composta como uma partitura musical. Paulo Coelho, na sua obra “O Alquimista”, chamava-nos a atenção para os Sinais.
Mas podemos , embrenhados como estamos nos afazeres dos nossos dias, prestar atenção a algo mais que não seja às coisas concretas e imediatas?
Com que frequência nos deixamos surpreender pela poesia da vida, por esses acontecimentos que, de forma improvável, rimam entre si?
Podemos receber , de alguma maneira, esses oráculos quotidianos? Podemos parar e questionar-nos? Com que atitude respondemos a essas “chamadas de atenção” que a vida usa para se comunicar connosco?

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