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Sobre a arte da Performance

A performance artística é um ato de imenso poder expressivo quando o artista realmente está presente. E estar presente implica que ele possa desaparecer naquilo a que dá corpo.
Porque é quando o artista “desaparece” que a expressão acontece através dele, transcende o pessoal e abrange o social, o político, o espiritual, o estético, o humano – esta abrangência é toda a potencialidade da Arte.

No seu texto “El Performer”, Jerzy Grotowsky, director e investigador teatral do séc. XX, escreveu:

“El Performer”, con mayúscula, es el hombre de acción. No es el hombre que hace la parte del otro. Es el danzante, el sacerdote, el guerrero: está fuera de los géneros estéticos.
El ritual es performance, una acción cumplida, un acto. El ritual degenerado es espectáculo. No quiero descubrir algo nuevo, sino algo olvidado. Algo tan viejo que todas las distinciones entre géneros estéticos ya no son válidas.”

A performance é uma forma intermodal das linguagens artísticas e é também a forma de o artista se experimentar e expressar em toda a sua multiplicidade. E tal como tem um componente ritual, tem um forte potencial transformador.
Em três anos trabalhei e apresentei três performances diferentes e, cada uma à sua maneira, teve o poder de transformar, re-significar e curar aspetos pessoais.
E nesses três anos presenciei inúmeras performances de colegas e amigos e pude assistir, em primeira mão, à imensa beleza e alquimia desses processos.

Durante a performance o artista dá corpo a imagens que foram emergindo durante o processo criativo, imagens essas vinculadas a outras imagens e sentimentos vivenciados internamente. Dessa forma, o que a performance oferece é “uma oportunidade para reentrar no sentir de determinada experiência e viajar a um outro lugar.” (Mcniff, 1992)
E, tal como diz Grotowsky, não estamos a descobrir ou inventar algo novo, pelo contrário. Trata-se de recuperar uma certa “medicina da arte” que sempre esteve presente, que vem da própria origem da Humanidade, e de cujo poder nos temos “esquecido” nos últimos séculos.

 

 

Fotos:

Performance de Ximena Moctezuma

Performance de Judith Gonzalez

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